O parlamentar criticou a proposta e afirmou que as mudanças previstas não enfrentam problemas estruturais da segurança pública no Estado
MANAUS (AM) – A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado Federal, com 75 votos favoráveis e nenhum contrário, levantou questionamentos sobre a efetividade das medidas para combater a criminalidade no Amazonas. O tema foi abordado pelo vereador Coronel Rosses (PL), durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta quarta-feira, 4/11.
O parlamentar criticou a proposta e afirmou que as mudanças previstas não enfrentam problemas estruturais da segurança pública no Estado, principalmente a falta de efetivo policial nas regiões de fronteira. Como exemplo, citou a situação de Tabatinga, considerada uma das principais portas de entrada de drogas no Brasil.
Segundo dados apresentados por Rosses, a Polícia Federal contava com cinco delegados no município em 2023. Atualmente, seriam apenas dois, enquanto o número de inquéritos teria aumentado de 95 para 141.
“Essa PEC mexe na Constituição, cria sistema, cria conselho, promete mais ministérios, mas não garante um policial a mais na nossa fronteira”, afirmou.
Outro ponto questionado pelo vereador foi a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que poderá atuar também nas hidrovias. Para Rosses, a medida precisa considerar as particularidades geográficas do Amazonas e as dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança para atuar na região.
“Imagina isso no Amazonas. A PRF não tem efetivo nem pras estradas. Ou seja, parece que os narcotraficantes ganharam mais tempo”, declarou.
Durante o pronunciamento, o parlamentar também apresentou números sobre a segurança pública no Estado. De acordo com os dados citados por ele, operações realizadas entre 2024 e 2026 resultaram em 1.902 prisões no Amazonas. Rosses mencionou ainda que a taxa de mortes violentas chegou a 27,4 por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 20,8.
Na avaliação do vereador, a aprovação da PEC, isoladamente, não garante avanços no enfrentamento à criminalidade. Ele defendeu investimentos nas forças policiais, ampliação do efetivo e melhores condições de trabalho para os profissionais que atuam no combate ao crime.
Valorização dos profissionais
Com passagem pela Polícia Militar, Rosses também destacou a necessidade de valorização dos agentes de segurança pública e cobrou melhores condições de trabalho para os profissionais que atuam na linha de frente.
“Como vereador e como alguém que dedicou muitos anos da vida à Polícia Militar, não posso deixar de defender aqueles que estão na linha de frente. Não existe segurança pública sem policial valorizado”, disse.
Ao final do pronunciamento, o parlamentar voltou a cobrar respostas mais efetivas do poder público para os problemas da segurança no Amazonas e criticou medidas que, em sua avaliação, não apresentam soluções concretas para o enfrentamento da criminalidade.
*Com informações da Assessoria
