Cleimisson Sales -Noticias Na Mão
Durante uma solenidade marcada por emoção e simbolismo, o cabo Márcio, hoje monitor do Colégio Militar Tiradentes XXII, viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: colocar a boina do colégio no próprio filho — um gesto que representou não apenas um ato de amor paterno, mas a realização de um sonho que atravessou gerações e superações.
Márcio cresceu sem a presença do pai biológico. Ainda criança, foi adotado por Dona Rosa, uma mulher de coração generoso que, mesmo após perder o marido e dois filhos em um trágico acidente de carro, decidiu transformar a dor em amor ao acolher o menino. Com simplicidade e fé, ela o criou sozinha, ensinando-lhe o valor da honestidade, da dedicação e do amor ao próximo.
Anos depois, Dona Rosa ainda adotaria mais uma criança, ampliando o gesto de bondade que marcou sua vida.
Natural de Ipueiras (CE), o cabo Márcio conheceu os pais biológicos apenas aos 23 anos — o pai vive no Ceará e a mãe, em São Paulo. Há dez anos ele não os vê pessoalmente. Mesmo com tantas lacunas e desafios, ele nunca desistiu dos seus sonhos.
Entre eles, o maior era estudar em um colégio militar — desejo que o tempo não permitiu realizar na infância, mas que se concretizou de outra forma: pela vida e pela farda. Após muito esforço e dedicação, Márcio tornou-se policial militar, e hoje tem a honra de servir justamente na instituição que um dia sonhou frequentar como aluno.
Dona Rosa, que faleceu em março deste ano, um dia após o aniversário do neto, não pôde presenciar o momento, mas certamente estaria orgulhosa. Sua história de amor e generosidade segue viva na trajetória do filho e na forma como ele conduz sua própria família.
Atualmente morando em Santo Amaro (MA), nos Lençóis Maranhenses, após ter crescido em Paço do Lumiar, Márcio construiu um novo lar, baseado no que ele mais sentiu falta na infância: presença, cuidado e amor.
E foi com esses valores que ele subiu ao palco, emocionado, para colocar a boina no filho — selando não apenas uma tradição militar, mas um ciclo de esperança, orgulho e superação.
> “Hoje eu vejo meu sonho nos olhos do meu filho. Tudo o que eu não tive, eu quero que ele tenha — e muito mais. Esse momento é uma vitória não só minha, mas de todos que acreditam que o amor transforma histórias”, declarou o cabo Márcio, emocionado.
Na plateia, aplausos e lágrimas se misturaram. Um pai que venceu o abandono, a distância e a dor mostrou que, quando há fé e perseverança, os sonhos não têm prazo de validade — apenas destino.