Após ação do vereador bolsonarista Coronel Rosses (PL), Município e Manauscult têm 15 dias para apresentar contratos, patrocínios e despesas do festival, sob pena de multa diária_
O 3º Juizado Especial da Fazenda Pública de Manaus deferiu, nesta quarta-feira (23), tutela de urgência em ação de exibição de documentos movida pelo vereador e candidato a deputado federal Coronel Rosses contra a Prefeitura de Manaus e a Manauscult. A decisão determina a preservação integral do acervo físico e eletrônico do Festival Sou Manaus Passo a Paço 2026 e estabelece prazo de 15 dias para que a Prefeitura apresente a relação completa de processos, contratos, termos de cooperação, receitas e despesas do evento, sob pena de multa de R$ 500 por dia.
A ação pede apenas o que já deveria estar disponível no Portal da Transparência. O Edital nº 005/2026 fixou quatro cotas de patrocínio: Samambaia (R$ 300 mil), Seringueira (R$ 500 mil), Castanheira (R$ 1 milhão) e Sumaúma (R$ 2 milhões). Em troca, o patrocinador recebe áreas de ativação de marca, blimps e camarotes para 20 convidados. A cota máxima dá ainda exclusividade de segmento e o título de “marca apresentadora”. Até o momento, a Prefeitura não divulgou o nome de nenhum patrocinador, quanto cada um investiu nem quais contrapartidas recebeu.
Enquanto isso, a ação orçamentária do festival chegou a mais de R$ 28 milhões. Esse valor, segundo o prefeito Renato Junior, não incluiu o pagamento dos cachês dos artistas nacionais, que teriam sido pagos por esses patrocinadores da iniciativa privada. No entanto, a Prefeitura nunca respondeu nem apresentou um único comprovante acerca dos empresários que teriam pago a festa.
O apagão de informações públicas não é novo. Na gestão do ex-prefeito David Almeida, a população nunca soube quanto custaram os shows de Gusttavo Lima, Ivete Sangalo, Ludmilla, Joelma e tantos outros artistas. Só circularam estimativas da imprensa.
Em 2025, reportagens apontaram como patrocinadora a Rodrigues Colchões, do Grupo Rodrigues. Pouco antes, a empresa havia recebido mais de R$ 21,5 milhões da Prefeitura pela desapropriação de um terreno. Em 2023, o supermercado do mesmo grupo já havia vencido licitação de mais de R$ 33 milhões.
Em 2023, entre as empresas anunciadas como patrocinadoras estavam a Norte Ambiental, que em 2022 venceu licitação de mais de R$ 9 milhões na Secretaria Municipal de Educação; a MK BR S.A. (AIWA); a H.P. Logística e Navegação; e a Nosso Show Gestão de Eventos. Esta última levou a cota de R$ 2 milhões e, em troca, o direito de explorar camarotes, front stage e bar. A Prefeitura anunciou R$ 22 milhões em patrocínios naquele ano, sem detalhar quanto cada empresa pagou.
Na Câmara, a base do prefeito derrubou todos os pedidos de informação. Vários vereadores tentaram obter essas informações pela via legislativa, mas foram barrados pela base governista.
Segundo o vereador Coronel Rosses, quando a porta da Câmara se fecha, o caminho é a Justiça.
Não é a primeira vez que o parlamentar busca a Justiça para ter acesso a informações do Sou Manaus. Em 2025, ação popular movida por ele levou a 2ª Vara da Fazenda Pública a determinar a divulgação de todos os contratos e documentos de patrocínio do festival desde 2022, sob multa diária de R$ 50 mil. Os gastos do Passo a Paço do ano passado estão ainda sob tomada de contas especial no Tribunal de Contas do Estado, justamente pelo que o Ministério Público de Contas classificou como “apagão informativo”.
“Eu não fui eleito para passar pano para falta de transparência, nem para falta de prioridade. Enquanto o povo espera por saúde, transporte e saneamento, a Prefeitura faz festa com dinheiro público e esconde quem pagou a conta e o que levou em troca. A base do prefeito pode derrubar quantos requerimentos quiser. Eu vou continuar tirando debaixo do tapete toda informação que o cidadão tem o direito de saber. O dinheiro é do pagador de impostos, e quem não deve, não teme”, disse Rosses
