Até 9 de agosto, os Bombeiros contabilizaram 666 incêndios urbanos, contra 353 no mesmo período de 2025
MANAUS (AM) – Manaus já registrou, em pouco mais de sete meses de 2026, mais que o dobro do número de incêndios contabilizados no mesmo período do ano passado. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), foram 1.230 ocorrências entre janeiro e 9 de agosto, contra 486 no mesmo intervalo de 2025. O aumento é de 153,1%.
A alta ocorre em meio ao período mais seco do ano na região. Somente na terça-feira, 11/8, quatro incêndios urbanos foram registrados na capital, incluindo ocorrências em áreas de vegetação no Parque Mauá, na zona Leste, e nas proximidades do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.
Na manhã desta quarta-feira, 12/8, um incêndio em uma residência no Parque São Pedro, na zona Oeste de Manaus, terminou com a morte de duas crianças, de 2 anos e 10 meses. Segundo informações preliminares, uma possível sobrecarga em um ventilador pode ter contribuído para o início do fogo.
Até 9 de agosto, os Bombeiros contabilizaram 666 incêndios urbanos, contra 353 no mesmo período de 2025, uma alta de 88,7%. Já os incêndios florestais passaram de 133 para 564, crescimento de 324,1%.
Incêndios florestais disparam
O avanço das ocorrências em áreas de vegetação é o principal destaque dos dados do CBMAM. Foram 431 registros a mais do que no mesmo período de 2025.
A alta também aparece nos números dos últimos fins de semana. Entre 31 de julho e 2 de agosto, foram registrados 106 incêndios em vegetação e áreas florestais. Já entre 7 e 9 de agosto, foram 117 ocorrências.
Para a meteorologista Andrea Ramos, o cenário ocorre durante um período naturalmente mais seco na Amazônia Central. “Agosto está entre os meses mais secos do ano em Manaus”, explica.
Segundo a especialista, a redução das chuvas, a menor cobertura de nuvens e o aumento da incidência solar elevam as temperaturas e reduzem a umidade da vegetação.
Calor não cria o fogo, mas prepara o terreno
Manaus registrou temperaturas de 35,4°C e 36,1°C nos últimos dias, os maiores valores observados na capital em 2026 até então, segundo a análise da meteorologista.
Ao mesmo tempo, o volume de chuva nos primeiros dez dias de agosto ficou em aproximadamente 3,5 milímetros.
Andrea explica que o calor, por si só, não provoca um incêndio, mas contribui para deixar a vegetação mais seca e inflamável.
“Com menos chuva e maior aquecimento superficial, a vegetação perde umidade mais rapidamente, tornando-se mais inflamável”, afirma.
Nesse cenário, fontes de ignição, como queimadas irregulares, descarte inadequado de materiais combustíveis ou acidentes, encontram condições mais favoráveis para iniciar e espalhar o fogo.
Ou seja, as condições climáticas não necessariamente iniciam os incêndios, mas podem facilitar a propagação das chamas.
El Niño também influencia
Outro fator apontado por Andrea é a influência do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial.
Na Região Norte, o fenômeno pode provocar redução das chuvas e períodos mais prolongados de estiagem. Em Manaus, isso contribui para manter a vegetação exposta ao calor e com menor disponibilidade de umidade.
“Em anos sob influência do El Niño, a Região Norte tende a apresentar redução das chuvas e períodos mais prolongados de estiagem, aumentando o risco de incêndios e queimadas”, explica a meteorologista.
Números mostram avanço
Os dados do CBMAM mostram a diferença entre os dois períodos:
Incêndios urbanos: 353 em 2025 contra 666 em 2026;
Incêndios florestais: 133 em 2025 contra 564 em 2026;
Total de ocorrências: 486 em 2025 contra 1.230 em 2026.
