As gravações mostram o passo a passo do atendimento, ajudando a esclarecer uma linha do tempo que a família e autoridades investigam há duas semanas.
Cleimisson Sales - Noticias Na Mão
MANAUS (AM) – A série de erros médico que levou à morte o menino Benício Xavier de Freitas, de seis anos, voltou ao centro do debate público neste domingo, 7/12, após o Fantástico, da TV Globo, exibir imagens inéditas das câmeras do Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso, que já chocava o Amazonas, agora repercute em todo o país.
As gravações mostram o passo a passo do atendimento, ajudando a esclarecer uma linha do tempo que a família e autoridades investigam há duas semanas.
Segundo o vídeo, Benício chega ao hospital às 13h37, caminhando normalmente. Ele tinha tosse seca e febre, com suspeita de laringite. Em seguida, a família segue para a enfermaria levando a prescrição da médica plantonista.
A reportagem também registra o relato da mãe, que contou que o menino estava apenas assustado com a possibilidade de “ser furado”. Mesmo com a dúvida da família sobre a medicação, a técnica de enfermagem Raíza Bentes aplica a primeira dose prescrita de adrenalina, medicamento usado somente em emergências médicas com risco de vida devido aos seus potentes efeitos.
Poucos segundos depois, as imagens mostram que Benício começa a passar mal e é levado às pressas da enfermaria. Quatro horas mais tarde, ele é transferido da sala vermelha para a Unidade de Tratamento Intensiva (UTI). O menino permanece parte do tempo com o pai, faz uma refeição e acaba entubado.
Segundo o Boletim médico, Benício sofreu seis paradas cardíacas e não resistiu.
“E é uma dor muito grande que eu vou levar pela minha vida toda. Pelo que a gente está analisando, verificando, observando, né? É uma sucessão de erros, né?”, disse o pai durante a reportagem.
A suspeita da família
Benício foi atendido no fim de semana de 22 para 23 de novembro, com sintomas considerados leves. A médica Juliana Brasil prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa.
Os pais afirmam ter questionado a via de administração, mas dizem que a técnica apenas seguiu a prescrição. Logo após a primeira dose, o menino sofreu a reação grave que desencadeou a corrida para a UTI.
Além da dor pela perda, a família lembra que o filho não pôde participar da formatura do ABC, marcada para 6 de dezembro. A mãe publicou um desabafo emocionado nas redes sociais.
“Hoje seria o dia da sua colação e formatura do ABC… Ele estaria muito feliz hoje ao lado de seus amigos”, declarou a mãe.
Investigação em andamento
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). A médica e a técnica foram ouvidas e afastadas de suas funções.
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) também abriu processo ético para apurar a conduta profissional.
A família pede responsabilização e reforça o apelo por revisão de protocolos. Segundo eles, uma criança com sintomas tão simples jamais poderia ter recebido a dose de adrenalina indicada.
